Moradores do Asilo Padre Cacique passeiam de catamarã em Porto Alegre

Publicada em 28.05.2013


 Idosos resgataram memórias dos tempos em que se deslocavam de barco sobre o Guaíba

Eles entraram na embarcação por volta das 15h desta terça-feira. Enfileirados, 22 dos moradores do asilo Padre Cacique espalharam-se pelas poltronas do lado direito do catamarã. Era de onde teriam a vista privilegiada de Porto Alegre, cidade em que nem todos nasceram, mas que nenhum deles pensava em deixar.

Eles partiam para um travessia de pouco menos de uma hora. Deixavam a Capital e, em seguida, iriam se dar conta de que haviam chegado muito além de Guaíba. É que encontrariam, espelhadas nas águas do lago, memórias quase desbotadas — mas não esquecidas. 

— Lembro que a gente pegava um barco pra ir até a praia da Alegria. Saíamos cedo pela manhã e voltávamos só no fim da tarde — mergulhava Luigi Vitola, 80 anos, em lembranças de dezenas de décadas atrás.

— Pouca gente tinha máquina fotográfica. Então, parece que tudo o que ficou daquele tempo são marcas na memória — complementava Iracema Pires, 70 anos, sentada a algumas poltronas ao fundo. 

— Eram barcos abertos e simples, não tinham tanta comodidade como esse — destacou Luigi, atento aos detalhes da embarcação que estava preste a partir.

Quando o catamarã tomou rumo, as inseparáveis amigas Leopoldina Irene de Souza, 84 anos, e Osvaldina Pinto, 86 anos (ou, como diz, 46 e mais vinte em cada perna), já estavam bem posicionadas nas duas primeiras poltronas. 

Durante todo o percurso, o olhar atento da dupla e nada cansado fitava longe. E, bem humorado, surpreendia-se com o que tinha diante de si.

— Este é o Beira-Rio — anunciou a guia do catamarã, enquanto o barco passava em frente às obras do estádio.

— Conhecido como Gigante por alguns — complementou Leopoldina, manifestando sua preferência. 

— Mas daqui dá pra ver só a bunda dele. E como é diferente! — acrescentou Osvaldina, caindo na risada.

Em Guaíba, os passageiros desembarcaram e os passageiros-passeadores apenas trocaram de lado. Privilégio deles ter a visão panorâmica — na ida e na volta do trajeto.

— Como é que é mesmo o nome desse barco? CA.. — perguntou Leda, 84 anos.

— CAMARÃO! — brincou a amiga Iracema, sem se preocupar com o nome certo da embarcação.

E ficou assim mesmo. Elas estavam era passeando de Camarão. Pronto. Dúvida sanada, o assunto seguiu...

— Olha lá a torre da nossa capela! Quem diria que um dia a gente iria ver a nossa mansão de dentro da água — exclamou Leda, sem perder de vista a coluna amarela do Asilo Padre Cacique, sobressalente por trás das obras do Beira-Rio.

— Bom, o melhor que tinha pra ser visto a gente já viu: o estádio do Inter e a nossa casinha. Agora pode até chover. E que chova mesmo, que eu quero é ver se isso aqui não tem goteira — despachou Iracema, desafiando a embarcação e o céu, que nesta tarde não se decidia entre nuvens escuras e réstias de sol.

— E aquele cano alto ali? É o Gasômetro? — questionou-se Iracema, sem tirar os olhos da margem da lago.

— É sim, e aqui é o Cais do Porto. Ou seja, fim de comédia! — respondeu a amiga, com um satisfeito sorriso no rosto.

O passeio dos moradores do Asilo Padre Cacique acabou por volta das 16h com direito a pose ao lado do comandante. A expressão contente tinha motivo: haviam passeado pelas memórias junto ao Guaíba.

Bruna Scirea
bruna.scirea@zerohora.com.br

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/05/moradores-do-asilo-padre-cacique-passeiam-de-catamara-em-porto-alegre-4152495.html?utm_source=Hootsuite&utm_medium=Redes%20Sociais&utm_campaign=Hootsuite


Fonte: Zero Hora