Culto Crioulo celebra as tradições gaúchas no Asilo Padre Cacique

Publicada em 19.09.2011


Cerimônia contou com representantes de diversas religiões

O tradicional e centenário prédio do Asilo Padre Cacique ganhou ares campeiros na manhã de sábado (17/09). Um culto crioulo foi celebrado em frente ao asilo emocionando moradores e voluntários. O altar foi montado na escadaria principal do asilo e com orações, preces e trovas todos participaram entusiasmados do evento que iniciou por volta das 10h e se estendeu até próximo ao meio dia.

A iniciativa contou com apoio do Piquete Rodrigo Cambará. Sob o comando de Renato Souza, um grupo de aproximadamente 20 cavalarianos marcou presença carregando as cores do Rio Grande do Sul.

- Para nós é uma honra porque esse culto ecumênico tem muito a ver com nossa tradição do Rio Grande do Sul. O orgulho de ser gaúcho está acima de qualquer coisa - disse Renato.

Além da cerimônia, os integrantes do Piquete Rodrigo Cambará fizeram a doação de 300 quilos de farinha, arrecadados através de uma parceria com a Pan Fácil. O ex-delegado contou também com o apoio da Polícia Civil que auxiliou na escolta da chama farroupilha trazida do acampamento localizado no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho.

No primeiro ato foi feita a entrada das cores que representam os cinco continentes, com o celebrante lembrando as tradições gaúchas que estão espalhadas por todo o mundo, totalizando mais de 5 000 mil CTGs, piquetes e MTGs. Logo após houve a entrada do Círio Pascal simbolizando a proteção divina dentro e fora da Igreja. O pão e vinho não foram os únicos símbolos presentes ganhando um aliado bem gaúcho: a Cuia e a Chaleira trouxeram o significado da solidariedade, dos causos e do enfrentamento das fadigas do dia a dia. Zareios, pelegos e pilchas simbolizaram o conforto para o enfrentamento da árdua jornada na busca dos animais. Os moradores acompanharam a celebração alegres e emocionados.

- Foi maravilhoso. Eu nunca tinha visto com meus olhos, e ao vivo, algo tão bonito - disse Ariosto Pereira da Silva.

A Cerimônia Crioula teve representantes de diversas religiões respeitando as diferentes opções idosos carentes que moram no Asilo Padre Cacique,
como lembrou o presidente do Asilo Padre Cacique, Edson Brozoza.

- Para nós foi um verdadeiro banquete espiritual de todas as religiões e povos homenageando esse evento festivo que é a Semana Farroupilha. Para nós é importante porque entre os 150 vovôs e vovós temos gente das mais diversas religiões - disse.

O representante da Igreja Católica, Frei José Ari, falou sobre a iniciativa.

- Foi um orgulho celebrar a alma gaúcha que é essencialmente espiritualista e de fé, não importando o Deus que buscamos. Dizemos a todos que Deus é acima de tudo o amor que nunca nos abandona - afirmou.

O Pastor Ramiro Alves representou os Evangélicos e também fez elogios.

- O nosso intento é celebrar Jesus Cristo que está acima de todos. A união com outros irmãos que estão, também, preocupados com a saúde física e mental das pessoas nos trouxe uma experiência muito boa - afirmou.

Em nome da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, Cristina Canovas de Moura lembrou as origens do asilo e os laços existentes há muito tempo.

- Há muitos anos cultivamos o Asilo Padre Cacique. A primeira sociedade espírita de Porto Alegre já destinava tudo que recolhia para o Padre Cacique que na época enfrentava muita dificuldade para ajudar os pobres - comentou.

Representando o Conselho de Umbanda e Culto Afro Brasileiro, Clóvis de Souza, ressaltou que o amor pelo próximo une a todos.

- A grande verdade é que nossa espiritualidade está acima da religiosidade, por mais diferentes que sejamos. Não existe gratificação maior do que a comprovação de que a benção de Deus está entre nós - declarou.

O Centro Cultural Islâmico do RS foi representado por Ahnam Ali. Um grupo de músicos fez parte também da celebração com violão, gaita e canto. As trocas e versos de improviso encantaram os idosos. Até mesmo a cruz foi estilizada no espírito da Revolução Farroupilha e das tradições gaúchas. Feita de pau tosco, representou a obrigação diária com o Divino e com o sagrado e foi colocada em frente ao Asilo Padre Cacique ao lado da chama Crioula.

Redação: Marcelo Matusiak
Coordenação: Marcelo Matusiak


Fonte: Play Press Assessoria de Imprensa